quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Liberdade

Perceber aquilo que se tem de bom
no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser daqui
De que vale ser daqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade!

(CAMELO, M.)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma homenagem à minha terra

É difícil não chamar o lugar onde nasci, cresci, sonhei a minha infância/adolescência inteira com perspectivas de melhorar o mundo (sim, sempre fui idealista), porém é triste, quando se vai embora, voltar poucas vezes àquela que sempre foi o abrigo, o recanto da família, dos amigos, dos conhecidos que, sempre, estão querendo saber como vai a vida e o que vcê anda fazendo! O hábito do 'todo mundo conhece todo mundo' faz parte da vida dessa população.
A sempre pacata São Miguel não muda (?). Faço essa pergunta a mim mesmo ultimamente. A cidadezinha do interior paulista, com seus quase 40 mil habitantes, cresce bem vagarosamente. As pessoas vivem um clima histórico, nostálgico: "Ah, como SMA era bom a uns anos atrás"...Conclui que quem sai daqui quer sempre voltar, nem que seja para uma visita apenas (na maioria dos casos), mas volta! Volta e, quando não encontra tudo no lugar, assusta-se e não reconhece mais o lugar, assim como eu, comentando com um amigo um dia desses em uma das raras ocasiões festivas da cidade: "São Miguel não é mais a mesma".
E as reclamações, também, as mesmas de que em São Miguel não há nada para fazer. É verdade, difícil admitir, mas é verdade. Não há uma diversão pública (às vezes me sinto muito velha de espírito) e quando há, sempre tem algum fato para ser a notícia do dia seguinte, então o que era pra ser bom vira uma fofoca momentânea.
Aqui, o carteiro te encontra no meio da rua e fala: "Tenho uma correspondência pra você aqui, pega!", livrando assim de ter o trabalho de ior até a casa daquela pessoa, prático não?!
Só em São Miguel Arcanjo, que tem gente pescando na Lagoa do Guapé. É só aqui que tem Parque do Zizo, que tem Parque Estadual Carlos Botelho, onde a Mata Atlântica é atração e reserva de ar puro, de natureza genuína. É só aqui que o carnaval de rua movimenta, anima todos os habitantes e vira ocasião de participação ativa da população...é lindo de ver, é uma delícia de participar...É aqui que todo mundo te vigia e "cuida" de você com a desculpa de que te viu crescer e tem consideração pelos seus pais...ai, ai. Isso já causou problemas pra tanta gente, tantas risadas...
Bom, é aqui que o convívio é saboroso e aqui é onde alimento a minha saudade.
Apesar de saber que esse não é mais o meu lugar, tenho a certeza de que é para ele que posso sempre voltar e começar tudo de novo...
Um brinde à São Miguel Arcanjo!

"O lar é onde o coração do homem cria raízes." (Henrik Ibsen)
"O lar não é onde você mora, mas onde as pessoas entendem você (Christian Morgenstern)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma livraria pra chamar de minha

Sempre achei muito legal ir até as livrarias para olhar, bisbilhotar, não precisava comprar livro nenhum, apenas ficar lá flanando por entre as diversas prateleiras de centenas de exemplares. Em todo lugar que eu vou que tem uma livraria procuro fazer isso e se estiver acompanhada de papai é muito mais divertido, pois consigo ficar falando, falando quais livros acho bons sem ao menos ter-los-lido por inteiro. Tá aí um vício: adoro ler a contra-capa, a sinopse da obra...é tão instigante. Dá uma vontade louca de sair comprando e lendo tudo na mesma hora, infelizmente não é o que acontece :S
Outra mania minha é a de simpatizar com os títulos (a minha vontade, no momento, é comprar e ler "Um bestseller pra chamar de Meu", de Marian Key. Tão bonitinho, todo laranja!). Ultimamente, vou a livraria da minha cidade, a única, todos os dias, por uma obrigação de aulas de idiomas, e por um prazer enorme de estudar no meio de tanta cultura, tanta inteligência silenciosa, calada, que permanece ao meu lado e me faz ter uma curiosidade incrível e uma formigação em meus dedos da mão que, quase involuntariamente, aprontam-se para mexer, abrir e investigar os todos poderosos do ambiente: os livros, que ali descansam da euforia dos clientes, pois as aulas são no horário que a livraria já fechou. Mal sabem eles que estou ali eufórica pelas possíveis descobertas!
Fico ouvindo a dona da livraria (minha professora) falar, refletir! Como ela é inteligente, culta, adoravelmente britânica na educação, ah, quero ser um dia assim...
Descobri, também, uma vontade antiga, que estava escondida do lado direito do meu cérebro: o vibrante desejo de possuir uma livraria. Imagina só como seria bom absorver tantas e tantas idéias que existem em uma livraia. Acho que ia ficar dentro dela o dia inteiro e, de forma egoísta, iria abri-la só nos finais de semana, os outros dias ficariam para eu mergulhar em um montão de letras! (ê utopia que não me sai da cabeça....)
ps: O título do texto é um trocadilho, carinhoso, com o livro que citei.
"A literatura nutre o alma e a consola. " ( Voltaire )
"Para fazer literatura você tem de ser terrivelmente sincera. E é incrível: se você atinge a verdade, está fazendo ficção, que é mentira." ( Elvira Vigna )

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De quem é a falha?


Hoje a notícia é triste. É sobre morte. Vou fazer um suspense, fora do padrão do jornalismo impresso diário (o tal do ‘lead’ que me perdoe, mas ando fugindo dele ultimamente).Tanta gente morre por falta de condições, no mínimo, razoáveis de saneamento, falta de atendimento na saúde pública; morrem nas tragédias ocorridas devido às mudanças climáticas, devido ao comportamento de outras pessoas que causam diversos acidentes. Tantas pessoas morrem na miséria, por causa da miséria; morrem, também, devido as tristes doenças, que as ‘levam’ sem piedade.Animais morrem; flores morrem; sentimentos, também, morrem; a saúde morre! É tanta morte...Porém a morte em questão, veiculada no programa Fantástico e no Jornal Hoje, da Rede Globo, nos dias 04 e 05 de janeiro, respectivamente, foi a do boi, aquele lá, da novela. O boi Bandido, que aos 15 anos de vida, faleceu por causa de um tumor. Ele, que contracenou com Murilo Benício, na gravação da novela América, e ficou ‘famosão’ por tal feito foi enterrado em Barretos, como todo bom boi, imagino.A notícia triste não está diretamente ligada a morte (não é insensibilidade, nem falta de valores, os animais merecem todo nosso respeito), mas sim ao descaso que a mídia faz com as questões de critérios de noticiablidade. É tanto cuidado, é tanto jornalista trabalhando por notícias mais ‘pesadas’, digamos assim, contando com a sorte e com o gosto da edição, para que elas possam ir ao ar, porém a morte do boi é mais importante... tantos bois já morreram e os coitadinhos nem foram lembrados, então eu me pergunto para quê tanta ênfase ao ‘valor notícia’, a relevância e interesse que a notícia deve promover ao expectador, nesse caso?! Tudo pela fama?!Difícil entender. Para mim, que estudei um pouco disso na faculdade, foi um pouco confuso, até rir eu ri. Não que devesse rir, mas foi incontrolável. Talvez seja por isso que os jornalistas sejam considerados arrogantes e donos da verdade, já que riem ou fazem descaso de algo, porém, ás vezes, isso não é verdade, é só pelo fato de contestar ‘maneiras’ de tratar de assuntos diferentes (já puxando a ‘sardinha’ pro lado dos jornalistas).Esse texto não contesta valores, nem vai contra os animais ou a natureza, já que é natural nascer, crescer e morrer, mas vai além. O texto ‘pede’ para que as pessoas sejam criticas ao assimilar as notícias e participem do processo de informação, de veiculação de conhecimento. Como expectadora e, no caso, contribuinte do blog, não pude deixar de lado a minha observação e minha expressão em primeira pessoa.