sábado, 23 de maio de 2009

Por onde andei

O Ventura esteve abandonado durante esses meses devido a atividades (acadêmicas), mas retorno à ativa naquele que é o instrumento onde desenvolvo meus pensamentos mais intersubjetivos, minhas vivências, minhas paixões, enfim as melhores coisas, pessoas da minha vida. Começo, então, a ser bem específica.
Um semestre se foi. Hora de mudanças! Mudanças de casa, mudanças de hábitos.
Rever os amigos, família..enfim é sempre bom ficar perto das pessoas que precisamos estar próximas durante todo o ano! E o ano? O ano tá correndo para variar, está se fazendo produtivo: aprender com dor (como já diziam os mestres).
As férias? Essas chegam para confortar o cansaço e o stress produzido em seis meses.
Saudade que não passa. Quando não é do pessoal que não vemos a anos, é daqueles que estão em outras cidades, os quais nos aproximamos e não conseguimos mais nos distanciar. Eita coisa inexplicável.
Sem mais!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Influência de Bandeira

.: Estou farta do lirismo comedido. Eu quero uma prosa eloquente, uma poética desconcertante, uma dissertação livre, ardente. :.

Influência de Bandeira

.: Estou farta do lirismo comedido[/i]. Eu quero uma prosa eloquente, uma poética desconcertante, uma dissertação livre, ardente. :.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A folia termina hoje

“Todo carnaval tem seu fim”, já diz a música. Do Iapoque ao Chuí, o Brasil vive intensamente essa época. Em Salvador, os blocos e trios elétricos movimentam os foliãos, que no ritmo da ‘Ivetinha’ seguem rumo ao Farol da Barra em diante. Mais pra baixo do mapa, no Rio a Marquês de Sapucaí fica enfeitada de alegria, de cor e de luxo (fantasias, alegorias cada vez mais caras!), em São Paulo o sambódromo constrói tradição assim como no Rio e por aí vai...
As praias ficam lotadas de turistas. O tempo é de batuque, de samba e de liberdade. O carnaval é mesmo um período do ano em que as pessoas liberam a energia e despertam o furor do agito em qualquer lugar que seja, até aqueles que não apreciam a “estação do ano” (pois já virou estação..rs) dão um jeito de descansar e curtir de outras maneiras, formas alternativas, eu diria.
No Brasil a impressão é que se tem que as atividades começam após o carnaval, agora é a hora de tudo começar a voltar a normalidade. Acabou a folia, teoricamente.
Mas o trabalho árduo começou nesses dias para aqueles responsáveis pela limpeza e conservação das mais diversas cidades do país. E como trabalham, rápidos e ágeis, merecem todos os parabéns e respeito dos foliões.
Bom, a vida pode começar porque o sonho do carnaval chega ao fim nesse ano de 2009...
"O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho." (Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O dom de namorar palavras

Várias idéias organizadas no dead line, mais uma vez. Pensei muito sobre o tema para iniciar a semana, pois durante ela temos uma gama de variedades... Mas aí não teve jeito, continuo na saga da linguagem, afinal é interessante viajar sobre as palavras!A língua portuguesa é composta por cerca de 400 mil palavras. Sim, são infindáveis letras combinadas e carregadas de significado e usadas por nós, às vezes de maneira boa ou ruim, depende do estado de espírito de cada um, aliás, tudo depende... heheheUma questão a se refletir é a de que as palavras conferem status! Não sei se isso é bom, porém acontece. Quantas e quantas vezes vemos algumas pessoas pronunciando sílabas inacabáveis, incomuns e que aos ouvidos soam diferentemente do que o dia-a-dia está habituado.Por exemplo, acobilhar, que diga-se de passagem não é nem reconhecido pelo programa de texto do computador, é o mesmo que acolher, agasalhar. E o mesto? Mesto é aquilo que causa tristeza, nesse caso acho que até combina, porque convenhamos, ô palavra feia, e triste!!! Por aí vai o mar de palavras exóticas, desconhecidas e complicadas, mas que causam na mente das pessoas algo como atração pelo diferente, é como se as palavras agissem feito imã e, ainda por cima, remetem pompa!Qual é a relevância de saber palavras difíceis?! Pode até ser bonito, elegante, mas e daí?! Na maioria das vezes parece prolixo, as situações devem ser representadas, reportadas de maneira mais simples possível, pois assim atinge um maior número de pessoas compreendendo diversos assuntos. Parece tão mais solidário, não acha?!Outro fato importante é a capacidade de admirar e repugnar palavras. Isso é incrível! Os “palavrões” são chamados palavrões, mas não são palavras metricamente grandes. É ilógico como as palavras podem admitir tantos sentidos, conotativos, denotativos, ambíguos e assim sucessivamente. No meu caso, odeio aquela palavrinha chula de apoio: car@#$%lho, é horrível! Confesso ter um enorme pudor sobre ela, mas enfim tem gente que gosta...de falar!E há o contrário: amor, saudade, imensurável, benevolente, entre outras lindas! Repara a sonoridade, o arranjo de letras, é quase uma melodia lexical. A semiótica, a semântica é um verdadeiro luxo, sob esse aspecto. O que seria dos grandes poetas sem essa mistura redonda de letras?!
E em relação a isso, encontrei um artigo no blog chamado“Logopéia” ( o link está no final da matéria) muito interessante que fala sobre a “Luta Social das Palavras”, um verdadeiro movimento para entender o que as palavras significam “porque as coisas em si não significam nada”. Isso é o que há de inovador e verdadeiro! Excelente abordagem de idéia!Bom, a verdade é que as palavras são com as pessoas. Ou você as ama e as usa ou as odeia e nem as mentaliza! Sem mais...
http://logopeia.wordpress.com/2008/02/22/luta-social-pelo-significado-das-palavras/

A deficiente idéia da estigmatização

“Oe, oe, oe, eu sou mais indie que vocêOe, oe, oe, eu sou o King dos blasês...”. Há dias, vi uma matéria em um caderno especializado do jornal Folha de S. Paulo, de 2006 (peço desculpas pela imprecisão) sob o título “Indies”, contendo cinco passos designados como se fossem instruções para se qualificar um(a) indie.Mas, partindo-se do princípio, o que é indie?
Segundo “Indie Blog”, disponível em http://indieposts.blogspot.com/2007/10/cultura-indie.html, o conceito surge na década de 50 nos EUA, para identificar bandas independentes: “Com o tempo foram abreviados para Indie, que agora não se refere só a musica, mas a um estilo de vida que engloba música, moda, comportamento, mito e lugar”.
Mas de onde surge tanta estigmatização? Os estereótipos cansam demais. As “modinhas” são clichês e surgem em uma sociedade que, teoricamente, é plural, onde as culturas divergem e, ao mesmo tempo, fundem-se. Então, questiona-se sobre os preconceitos, que diante dessas “modinhas” tornam-se, cada vez mais, evidentes e mesquinhos, quando a maior preocupação é o porquê buscar certos modelos de vestimenta, estilos, gostos, que a princípio não são nada originais, nem criativos.
Seria dogmático falar em criatividade, que é uma idéia ampla, dependente da individualidade de cada indivíduo, por isso não amplifico a discussão, já que meu objetivo não é esse. O assunto pode ser visto de diversas maneiras sob diferentes aspectos, por isso o critério não é “detonar” um estilo ou discorrer sobre ele, mas sim mostrar como um exemplo rende pano pra manga, podendo servir de base para mais uma reflexão, contraditória, talvez.
O fato é que muita gente pode ter traços da personalidade qualificadas como características que referenciam os indies (não sei por quem e nem por quê), mas nem por isso serem “indies”, é compreensível?! Afinal, já afirmava o jamaicano Stuart Hall, como a identidade de cada um é fragmentada.
No entanto, percebe-se na mídia uma influência contrária a fragmentação. Por exemplo, a abordagem simplista sobre os “indies” feita pelo jornal Folha de S. Paulo, que sugere, pelo menos a mim quando li, uma tipificação dos indivíduos. Quer dizer que agora há passos básicos para se transformar em algo pré-determinado de maneira a se inserir e adequar-se em grupos na sociedade. É, realmente, uma forma de adequação? Não sei. São outros devaneios que vão longe, bem longe.
Logo, não sei o que pensar sobre essas questões. O quanto a estigmatização pode ser grotesca, porém, ao mesmo tempo, o quanto ela se espalha e se torna aceitável entre as pessoas.Caramba! Para quê tanta luta e discussão sobre a preservação das diferenças? Parece tão mais fácil concordar com uma serialização, tão mais cômodo amplificar um conceito e deixá-lo tão efêmero...Aí começa outra viagem.

Para finalizar, a questão não é se ser indie é bom ou ruim. Na verdade, os indies são um exemplo do que está acontecendo com a repercussão das “modinhas” através da deturpação de certos conceitos, palavras, durante as últimas décadas, pelas pessoas, pelos veículos midiáticos, enfim.A crítica às “modinhas” (e isso não é pejorativo) é baseada na esperança de um estímulo para uma influência consciente dessa gama de “novidades” que ascendem, e não uma mera injeção da contemporaneidade, que se prolifera como um vírus e vicia como uma droga.
“Confrontar é sempre mais eficiente”, já dizia Nilson Lage, em seu livro “O Texto da Reportagem”. Sem mais.

Democratizar a mídia: um desafio pendente


Movimentos sociais e entidades da sociedade civil realizaram a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação pelo sexto sexto ano consecutivo. Neste ano as atividades foram focadas na luta pela realização na Conferência Nacional de Comunicação e na revisão do processo de concessão de rádio e TV.Depois da queda do muro de Berlim e o previsível fim da bipolarização do mundo, os meios de comunicação, aparentemente, foram democratizados. O acesso a eles está bem mais fácil e qualquer pessoa pode usar seu celular ou câmera digital e mandar um vídeo para o jornal ou a foto para uma revista, por exemplo. As pessoas se sentem mais inseridas na produção na notícia e no cotidiano do país.Acontece que essa democratização é limitada de acordo com os interesses das agências de comunicação.
O espaço de um canal é nosso. O espectro magnético, ar, por onde as ondas de rádio e TV passam é espaço concedido às empresas da mídia. A discussão sobre a concessão desses espaços tece o ambiente midiático e é recente quanto à aprovação pela democracia dos meios de comunicação .Para mudar o cenário de mecanismos de controle do mercado de comunicação no país, a população deve participar da definição de como e por quem esse espaço deve ser ocupado. Os grupos e movimentos sociais são apoiadores da questão da democratização.A sociedade precisa ser igualitária, já que o acesso, teoricamente, é público. Uma solução para o acesso democrático dos meios são os meios alternativos de comunicação, a chamada mídia independente que é o tipo de mídia que não está sob o controle de grandes grupos de comunicação, e que não está vinculada a compromissos com anunciantes, grupos políticos ou instituições governamentais. Ela vai em contra-mão a Mídia Corporativa (ou "Grande Mídia").A rádio comunitária é um meio alternativo de comunicação constituído através de entidades que tem a concessão legal para transformar em baixa freqüência, sendo seis anos de luta das rádios comunitárias pela outorga de rádio e TV, ou seja, a democratização da comunicação.A questão da democratização acompanha esse tipo de mídia. As emissoras da rede comercial não estão cientes da realidade social, operando na sociedade, porém não abrem espaço para ela. Nesse cenário, o público torna-se alvo da comunicação. Enquanto as rádios comunitárias sobrevivem com o apoio cultural (fonte de renda condizente com as necessidades do veículo, ou menos, mas sempre algo que não caracterize lucro), Mas esse apoio, além de insuficiente, muitas vezes é falho. Existem problemáticas quanto à concessão de rádios na mesma freqüência. Em uma sociedade moderna cheia de aparatos tecnológicos, as rádios comunitárias são colocadas na indigência.As concessões de rádio têm que ser renovadas a cada dez anos e as de TV a cada 15. Duzentos e vinte e cinco processos foram encaminhados para o Senado e apenas 38 renovados. A regulamentação é falha ao fiscalizar tais concessões.Muitas são as reivindicações sobre a democratização da mídia, recentemente, para essa questão ser pautada nas Assembléias Legislativas. É uma discussão técnica e política para identificar o que é preciso ser sanado para que haja maior pluralidade, regionalização e independência.A proposta é que os três sistemas midiáticos: estatal, comercial e comunitário; estejam em equilíbrio ao reformar o sistema de comunicação do país para interesse e participação do povo. O cenário dos meios alternativos de comunicação precisa de força conjunta da sociedade para que esta atividade inicial torne-se realidade, fazendo valer as defesas colocadas em voga.A luta pela democratização está aí: permeando nossos dias. O objetivo é que a sociedade participe ativamente levantando essa bandeira. Não é utopia, não! É uma forma de tentar deixar melhor locus midiático/público no qual todos nós estamos envolvidos ou inseridos (a leitura, aqui, fica a vontade).

Catracas da vida moderna

Um dos temas dominantes de nossa época é o controle cada vez maior sobre a vida humana, através de diferentes mecanismos de dominação presentes no nosso cotidiano. Esse fenômeno, que filósofos contemporâneos como Michel Foucault chamam de “sociedade de controle” pode ser sentida e interpretada de diferentes maneiras.A vida humana vem sendo, cada vez mais, controlada. Esse controle ocorre através de diferentes mecanismos: bancos, shoppings, ônibus ou metrôs; somos constantemente filmados, contados, observados. Além das catracas reais como aquelas que encontramos nos estádios, nos ônibus existem as catracas invisíveis que se manifestam de diversas formas. Há o controle que nós mesmos realizamos em nossa rotina, principalmente, obedecendo a horários, entre outros que são determinados por nós e que contrariam a liberdade dos indivíduos.Muitas vezes, a catraca é “desejada” pela própria população como forma de evitar o caos para o qual caminharia uma sociedade sem controle algum.Há, também, catracas inoperantes e uma delas é o governo que, ao deixar de investir em educação, saúde, funciona como empecilho para o desenvolvimento do país. Tais catracas devem ser destruídas.Finalmente, seja qual for o tipo de ‘catraca’, ela deve ser eliminada para a evolução humana. O homem tem poder de decisão, portanto pode descatracalizar a própria vida, valorizando, assim, a liberdade consciente, segura. Logo, os obstáculos, realmente, desaparecerão e as catracas serão fáceis de serem ‘manipuladas’.(ps: Texto escrito em 2007. O tema continua atual, porém fica uma proposta de reflexão sobre essa perspectiva, seria outra utopia? Acho que começarei fazer rankings próprios de temáticas utópicas...rsrs)

Conversas sobre a crise

A crise econômica assola todos os cantos do mundo, mesmo não atingindo diretamente esses cantos. A questão é que a coisa está tão terrível que até às 3h da manhã (um horário peculiar) essa conversa surgir com um tom de ‘inconformação’ e espírito de mudança entre dois mais novos ‘amigos’.Um deles começou relatando a situação dos estudos sobre tal situação mundial e quanto desemprego e tristeza isso tem refletido na vida dos tantos e tantos prejudicados...O outro, atento as informações, refletia e tirava suas conclusões paulatinamente, concordando com o colega. “A coisa tá feia! É de dar desgosto na gente”.O papo perdurou mais alguns, preciosos, minutos. O primeiro continuou falando que o pior de tudo é que as pessoas, em sua maioria, desconhecem a verdadeira culpa, se é que se pode dizer dessa forma. O capitalismo/neoliberalismo é bombardeado como principal causa da situação problemática (como se agora adiantasse a implantação de um regime socialista) e que a instabilidade e a falta de perspectiva para o futuro são as novas maneiras de vida de muitas populações, que um dia com o dólar em um dinamismo letal não tiveram mais esperanças (ou ainda as preservam com a vitória de Obama), enfim...A culpa, já dizia o amigo ao outro, é também do governo norte-americano, que não estava preparado para enfrentar um rombo econômico gigantesco como esse e por não ter planejado uma forma alternativa para servir de alicerce contra esse desmoronamento da economia, e mais de vidas e de sonhos. Por exemplo, se ao invés de financiar 100% dos imóveis, em sua época áurea, à população estadunidense, financiasse 80%%... Essa era a teoria dele. E o outro, como que resignado, continuava concordando e sonhando com uma situação melhor. Isso é real. Acontece no mundo todo, apesar do presidente Lula já ter declarado que a economia brasileira está sobre controle, porém nem todos os brasileiros estão. Ora, muitos cidadãos brasileiros sofrem com os estilhaços deixados pela crise, pois trabalham em multinacionais e, assim como essa conversa, são só mais um exemplo ao descaso e ao acaso...Obs: tentativa de crônica ou de representação de um diálogo. Agradeço a colaboração de Alexandre (mesmo sem ele saber que colaborou).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Liberdade

Perceber aquilo que se tem de bom
no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser daqui
De que vale ser daqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade!

(CAMELO, M.)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma homenagem à minha terra

É difícil não chamar o lugar onde nasci, cresci, sonhei a minha infância/adolescência inteira com perspectivas de melhorar o mundo (sim, sempre fui idealista), porém é triste, quando se vai embora, voltar poucas vezes àquela que sempre foi o abrigo, o recanto da família, dos amigos, dos conhecidos que, sempre, estão querendo saber como vai a vida e o que vcê anda fazendo! O hábito do 'todo mundo conhece todo mundo' faz parte da vida dessa população.
A sempre pacata São Miguel não muda (?). Faço essa pergunta a mim mesmo ultimamente. A cidadezinha do interior paulista, com seus quase 40 mil habitantes, cresce bem vagarosamente. As pessoas vivem um clima histórico, nostálgico: "Ah, como SMA era bom a uns anos atrás"...Conclui que quem sai daqui quer sempre voltar, nem que seja para uma visita apenas (na maioria dos casos), mas volta! Volta e, quando não encontra tudo no lugar, assusta-se e não reconhece mais o lugar, assim como eu, comentando com um amigo um dia desses em uma das raras ocasiões festivas da cidade: "São Miguel não é mais a mesma".
E as reclamações, também, as mesmas de que em São Miguel não há nada para fazer. É verdade, difícil admitir, mas é verdade. Não há uma diversão pública (às vezes me sinto muito velha de espírito) e quando há, sempre tem algum fato para ser a notícia do dia seguinte, então o que era pra ser bom vira uma fofoca momentânea.
Aqui, o carteiro te encontra no meio da rua e fala: "Tenho uma correspondência pra você aqui, pega!", livrando assim de ter o trabalho de ior até a casa daquela pessoa, prático não?!
Só em São Miguel Arcanjo, que tem gente pescando na Lagoa do Guapé. É só aqui que tem Parque do Zizo, que tem Parque Estadual Carlos Botelho, onde a Mata Atlântica é atração e reserva de ar puro, de natureza genuína. É só aqui que o carnaval de rua movimenta, anima todos os habitantes e vira ocasião de participação ativa da população...é lindo de ver, é uma delícia de participar...É aqui que todo mundo te vigia e "cuida" de você com a desculpa de que te viu crescer e tem consideração pelos seus pais...ai, ai. Isso já causou problemas pra tanta gente, tantas risadas...
Bom, é aqui que o convívio é saboroso e aqui é onde alimento a minha saudade.
Apesar de saber que esse não é mais o meu lugar, tenho a certeza de que é para ele que posso sempre voltar e começar tudo de novo...
Um brinde à São Miguel Arcanjo!

"O lar é onde o coração do homem cria raízes." (Henrik Ibsen)
"O lar não é onde você mora, mas onde as pessoas entendem você (Christian Morgenstern)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma livraria pra chamar de minha

Sempre achei muito legal ir até as livrarias para olhar, bisbilhotar, não precisava comprar livro nenhum, apenas ficar lá flanando por entre as diversas prateleiras de centenas de exemplares. Em todo lugar que eu vou que tem uma livraria procuro fazer isso e se estiver acompanhada de papai é muito mais divertido, pois consigo ficar falando, falando quais livros acho bons sem ao menos ter-los-lido por inteiro. Tá aí um vício: adoro ler a contra-capa, a sinopse da obra...é tão instigante. Dá uma vontade louca de sair comprando e lendo tudo na mesma hora, infelizmente não é o que acontece :S
Outra mania minha é a de simpatizar com os títulos (a minha vontade, no momento, é comprar e ler "Um bestseller pra chamar de Meu", de Marian Key. Tão bonitinho, todo laranja!). Ultimamente, vou a livraria da minha cidade, a única, todos os dias, por uma obrigação de aulas de idiomas, e por um prazer enorme de estudar no meio de tanta cultura, tanta inteligência silenciosa, calada, que permanece ao meu lado e me faz ter uma curiosidade incrível e uma formigação em meus dedos da mão que, quase involuntariamente, aprontam-se para mexer, abrir e investigar os todos poderosos do ambiente: os livros, que ali descansam da euforia dos clientes, pois as aulas são no horário que a livraria já fechou. Mal sabem eles que estou ali eufórica pelas possíveis descobertas!
Fico ouvindo a dona da livraria (minha professora) falar, refletir! Como ela é inteligente, culta, adoravelmente britânica na educação, ah, quero ser um dia assim...
Descobri, também, uma vontade antiga, que estava escondida do lado direito do meu cérebro: o vibrante desejo de possuir uma livraria. Imagina só como seria bom absorver tantas e tantas idéias que existem em uma livraia. Acho que ia ficar dentro dela o dia inteiro e, de forma egoísta, iria abri-la só nos finais de semana, os outros dias ficariam para eu mergulhar em um montão de letras! (ê utopia que não me sai da cabeça....)
ps: O título do texto é um trocadilho, carinhoso, com o livro que citei.
"A literatura nutre o alma e a consola. " ( Voltaire )
"Para fazer literatura você tem de ser terrivelmente sincera. E é incrível: se você atinge a verdade, está fazendo ficção, que é mentira." ( Elvira Vigna )

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De quem é a falha?


Hoje a notícia é triste. É sobre morte. Vou fazer um suspense, fora do padrão do jornalismo impresso diário (o tal do ‘lead’ que me perdoe, mas ando fugindo dele ultimamente).Tanta gente morre por falta de condições, no mínimo, razoáveis de saneamento, falta de atendimento na saúde pública; morrem nas tragédias ocorridas devido às mudanças climáticas, devido ao comportamento de outras pessoas que causam diversos acidentes. Tantas pessoas morrem na miséria, por causa da miséria; morrem, também, devido as tristes doenças, que as ‘levam’ sem piedade.Animais morrem; flores morrem; sentimentos, também, morrem; a saúde morre! É tanta morte...Porém a morte em questão, veiculada no programa Fantástico e no Jornal Hoje, da Rede Globo, nos dias 04 e 05 de janeiro, respectivamente, foi a do boi, aquele lá, da novela. O boi Bandido, que aos 15 anos de vida, faleceu por causa de um tumor. Ele, que contracenou com Murilo Benício, na gravação da novela América, e ficou ‘famosão’ por tal feito foi enterrado em Barretos, como todo bom boi, imagino.A notícia triste não está diretamente ligada a morte (não é insensibilidade, nem falta de valores, os animais merecem todo nosso respeito), mas sim ao descaso que a mídia faz com as questões de critérios de noticiablidade. É tanto cuidado, é tanto jornalista trabalhando por notícias mais ‘pesadas’, digamos assim, contando com a sorte e com o gosto da edição, para que elas possam ir ao ar, porém a morte do boi é mais importante... tantos bois já morreram e os coitadinhos nem foram lembrados, então eu me pergunto para quê tanta ênfase ao ‘valor notícia’, a relevância e interesse que a notícia deve promover ao expectador, nesse caso?! Tudo pela fama?!Difícil entender. Para mim, que estudei um pouco disso na faculdade, foi um pouco confuso, até rir eu ri. Não que devesse rir, mas foi incontrolável. Talvez seja por isso que os jornalistas sejam considerados arrogantes e donos da verdade, já que riem ou fazem descaso de algo, porém, ás vezes, isso não é verdade, é só pelo fato de contestar ‘maneiras’ de tratar de assuntos diferentes (já puxando a ‘sardinha’ pro lado dos jornalistas).Esse texto não contesta valores, nem vai contra os animais ou a natureza, já que é natural nascer, crescer e morrer, mas vai além. O texto ‘pede’ para que as pessoas sejam criticas ao assimilar as notícias e participem do processo de informação, de veiculação de conhecimento. Como expectadora e, no caso, contribuinte do blog, não pude deixar de lado a minha observação e minha expressão em primeira pessoa.