“Oe, oe, oe, eu sou mais indie que vocêOe, oe, oe, eu sou o King dos blasês...”. Há dias, vi uma matéria em um caderno especializado do jornal Folha de S. Paulo, de 2006 (peço desculpas pela imprecisão) sob o título “Indies”, contendo cinco passos designados como se fossem instruções para se qualificar um(a) indie.Mas, partindo-se do princípio, o que é indie?
Segundo “Indie Blog”, disponível em
http://indieposts.blogspot.com/2007/10/cultura-indie.html, o conceito surge na década de 50 nos EUA, para identificar bandas independentes: “Com o tempo foram abreviados para Indie, que agora não se refere só a musica, mas a um estilo de vida que engloba música, moda, comportamento, mito e lugar”.
Mas de onde surge tanta estigmatização? Os estereótipos cansam demais. As “modinhas” são clichês e surgem em uma sociedade que, teoricamente, é plural, onde as culturas divergem e, ao mesmo tempo, fundem-se. Então, questiona-se sobre os preconceitos, que diante dessas “modinhas” tornam-se, cada vez mais, evidentes e mesquinhos, quando a maior preocupação é o porquê buscar certos modelos de vestimenta, estilos, gostos, que a princípio não são nada originais, nem criativos.
Seria dogmático falar em criatividade, que é uma idéia ampla, dependente da individualidade de cada indivíduo, por isso não amplifico a discussão, já que meu objetivo não é esse. O assunto pode ser visto de diversas maneiras sob diferentes aspectos, por isso o critério não é “detonar” um estilo ou discorrer sobre ele, mas sim mostrar como um exemplo rende pano pra manga, podendo servir de base para mais uma reflexão, contraditória, talvez.
O fato é que muita gente pode ter traços da personalidade qualificadas como características que referenciam os indies (não sei por quem e nem por quê), mas nem por isso serem “indies”, é compreensível?! Afinal, já afirmava o jamaicano Stuart Hall, como a identidade de cada um é fragmentada.
No entanto, percebe-se na mídia uma influência contrária a fragmentação. Por exemplo, a abordagem simplista sobre os “indies” feita pelo jornal Folha de S. Paulo, que sugere, pelo menos a mim quando li, uma tipificação dos indivíduos. Quer dizer que agora há passos básicos para se transformar em algo pré-determinado de maneira a se inserir e adequar-se em grupos na sociedade. É, realmente, uma forma de adequação? Não sei. São outros devaneios que vão longe, bem longe.
Logo, não sei o que pensar sobre essas questões. O quanto a estigmatização pode ser grotesca, porém, ao mesmo tempo, o quanto ela se espalha e se torna aceitável entre as pessoas.Caramba! Para quê tanta luta e discussão sobre a preservação das diferenças? Parece tão mais fácil concordar com uma serialização, tão mais cômodo amplificar um conceito e deixá-lo tão efêmero...Aí começa outra viagem.
Para finalizar, a questão não é se ser indie é bom ou ruim. Na verdade, os indies são um exemplo do que está acontecendo com a repercussão das “modinhas” através da deturpação de certos conceitos, palavras, durante as últimas décadas, pelas pessoas, pelos veículos midiáticos, enfim.A crítica às “modinhas” (e isso não é pejorativo) é baseada na esperança de um estímulo para uma influência consciente dessa gama de “novidades” que ascendem, e não uma mera injeção da contemporaneidade, que se prolifera como um vírus e vicia como uma droga.
“Confrontar é sempre mais eficiente”, já dizia Nilson Lage, em seu livro “O Texto da Reportagem”. Sem mais.